31 de dezembro de 2009

O último dia do ano

Hoje é o último dia do ano. E por algum motivo isso me dá uma certa angústia, sempre me deu. É estranho porque no último dia do ano me sinto triste, como se tudo estivesse acabando, como se minhas chances de fazer algumas coisas que eu planejei terminassem ali, por outro lado o primeiro dia do ano me deixa feliz, vou ter um grande prazo para realizar vários projetos para o novo ano. E fiquei pensando, quem dividiu o tempo dessa maneira foi muito inteligente. E então achei um texto do Carlos Drummond de Andrade em que ele fala justamente isso:
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de anos, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e com outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente!"
Então eu não sou tão errada assim, se Carlos Drummond concorda comigo, em alguma coisa eu tenho razão.
Durante essa semana choveu bastante, sem parar, e hoje, no último dia do ano, o dia amanheceu amarelo, lindo e cheio de sol às 8h da manha, mesmo com toda minha tristeza de outro ano que se foi sem que eu realizei absolutamente tudo que planejei, acordei com a cara fechada, mas assim que eu abri as cortinas e olhei para o dia lindo que Deus me deu, um sorriso quase sem querer foi esboçado em meu rosto. É incrível como isso faz toda diferença pra mim, quando o dia ta feio, cheio de nuvens pretas pelo céu me sinto pra baixo, literalmente fica tudo preto pra mim, mas se o dia amanhece amarelo... Não tem o que me faça ficar de mau humor. E hoje o dia amanheceu assim, para que eu passe o meu último dia do ano de bom humor.
Preciso registrar aqui as minhas metas para o novo ano que chega amanha. E que por estar registrado aqui* eu não me esqueça e nem deixe passar... 1) Quero trabalhar minha paciência e ansiedade. 2) Quero estar muito* mais próxima de Deus. 3) Quero fazer o bem ao próximo, isso significa, voltar a fazer trabalhos voluntários.
E vamos direto para as coisas práticas a que devo focar: 1) Começar minha pós graduação. 2) Noivar com meu amor. 3) Viajar para Cancun.
Tcharam! Isso é tudo o que eu preciso. Fora todas as coisas que vou pedir ao meu bom Deus para minha linda família! Nada além de saúde, paz e amor! Assim como eu desejo para o resto do mundo, que só precisa disso para que todas essas catástrofes e absurdos da humanidade cheguem ao fim.
Devo ressaltar que eu sou uma pessoa feliz. Que tenho muito* o que agradecer ao meu Deus, e não só pedir. E eu agredeço sempre, todos os dias!
Que venha 2010, e que seja MUITO melhor que o ano que passou.
Que a paz e o amor reine e governe o mundo. E que as pessoas consigam amar uns aos outros.
Adeus ano velho! Feliz Ano Novo!

28 de dezembro de 2009

Detalhes de um Amigo oculto

Sempre me pergunto porque eu continuo insistindo em participar dessa brincadeira comum nos Natais. Não que eu não ache interessante, eu acho. Mas eu sempre me arrependo de ter participado assim que abro o embrulho destinado a mim. 
Acho que no meu primeiro amigo oculto eu deveria ter uns 6 ou 7 anos e mesmo assim me dei mal. Eu tirei a Anelise, me lembro até hoje, ela era a cara da Branca de Neve ,dei a ela uma coleção de canetas florescentes, que vinham 20 canetas com várias cores hiper bacanas. Cheguei olhando para o embrulho de todo mundo na espectativa de adivinhar quem tinha me tirado. O Rafael estava com um embrulho enorme, parecia uma bicicleta ou sei lá o que, já a Luciana estava com um embrulho minúsculo e eu não conseguia parar de olhar tentando desvendar o que caberia ali. Acho que várias crianças, ou a maioria ganhou bons presentes, bonecos Comandos em Ação e Barbies. Quando a Luciana levantou com seu pequeno embrulho vermelho na mão, faltava apenas 5 crianças a serem tiradas, e eu era uma delas. E apesar de pedir loucamente para que não fosse eu, ganhei o tal pequeno embrulho. E seria impossível eu adivinhar o que tinha dentro: Um par de luvas de linha coloridas, com um dedo de cada cor. E eu obviamente não consegui disfarçar minha cara de bunda ao abrir o pequeno embrulho e dar de cara com aquelas luvas. Me arrependi de abrir o embrulho, devia ter inventado uma dor de barriga, corrido no banheiro e trocado as lindas canetinhas florescentes por aquele par de luvas coloridas. Mas não foi assim. Me lasquei e ponto.
E o pior é que todo ano eu insistia em participar, minha mãe falava "minha filha, você sempre se dá mal, tem certeza que vai participar?" E eu relutante, sempre achava que um dia ganharia algo interessante. E acabei colecionando presentes inúteis, além da luvinha colorida, ganhei escovas de dentes da Fada Bela, Papeis coloridos para fichario, uma carteira verde de sapo, um saco de balinhas de caramelo e por ai vai. 
Durante algum tempo fiquei me perguntando se seria porque ninguém gostava realmente de mim, porque afinal quando a gente gosta a gente tenta comprar o presente mais legal de todos para o amiguinho, ou seria porque ninguém me conhecia de verdade, então não sabiam o que eu poderia gostar ou não. Precisava descobrir qual das duas opções seria.
Então, aos 10 anos, outro amigo oculto de final de ano. E eu espalhei para sala toda que tudo o que eu queria ganhar era um fichario do Taz Mania! Até pra professora eu falei, todos estavam sabendo. Então se eu ganhasse significava que eu era querida, se não ganhasse significava que ninguém me conhecia por isso me davam qualquer bosta. 
E no dia do amigo oculto fiquei mais nervosa do que nunca, afinal a verdade estava por vir. Eu tirei a Thaís e comprei um fichario igual ao que eu pedi só que do pernalonga, cinza, emborrachado, uma graça. E quando a Andressa levantou, com um embrulho que parecia um fichario e começou o discurso com "uma menina que eu gosto muito, mas que é muito complicada", fiquei indignada porque não sou complicada, nunca fui, mas era eu! Fiquei feliz porque finalmente ganhei um presente digno! E tudo estava esclarecido pra mim. 
Começei a fazer isso todos os anos, até inventarem a tal listinha dos pedidos e tudo ficar mais fácil. Mesmo assim, me lasquei muito mais do que me dei bem. 
Mesmo quando o Amigo oculto era no Natal de família, de alguma forma eu me dava mal. Aos 22 anos ganhei um cachorrinho de pelucia rosa do meu primo. Tem algum cabimento?
O mais hilário foi o amigo oculto de 2008 na casa do meu tio, eu tirei minha mãe, dei a ela um sapato lindo, vermelho, chique demais. E meu pai começou o discurso dele e eu tive certeza que era eu, pensei comigo "ai que bom, esse ano me dei bem!!" e quando abri o embrulho, dei de cara com o MEU vestido amarelo. Tentei sorrir e fingir ter adorado, mas não consegui. Ele disse que não teve tempo de comprar, foi lá pegou meu vestido amarelo e colocou em uma sacola, mas depois ia sair comigo pra comprar outra coisa. 
Prometi pra mim que não ia mais participar disso... e em 2009 nada de amigo oculto.


Que venha o Ano Novo!

23 de dezembro de 2009

Problemas com falsidade



De acordo com o dicionário a palavra 'falsidade' tem como sinônimo a 'dissimulação', como antônimo 'verdadeiro', e palavras relacionadas? 'Fingimento'. Talvez por isso eu nunca tenha conseguido a façanha de ser um pouquinho que fosse falsa.
Não tenho orgulho do que vou escrever, mas para mim era um sinal claro de problemas no futuro.
No meu aniversário de 5 anos meus pais fizeram uma festa linda, de coelhinhos, por ser perto da pascoa, e minha mãe me deu vários convites com o nome de cada amiguinho para eu entregar no colégio. Certamente eu era amiga da maioria da sala, mas a maioria não significa que eu era amiga de todos, e queria que só os meus amigos fossem á minha festa. Me lembro até hoje o nome delas, Ana Clara e Jeniffer, eram duas amigas inseparáveis que se juntavam para me irritar, elas passeavam com brinquedos e canetinhas de todos os tipos pelo colégio e não imprestavam para ninguém, muito menos pra mim. A brincadeira preferida delas era catar insetos pequenos e nojentos no jardim do colégio e colocar na cedeira das coleguinhas, e eu já tinha sido vitima da brincadeira. Em retribuição a todo carinho e atenção que me era dado por ambas eu pensei comigo, aos meus cinco anos "Porque minha mãe fez convites pra elas se elas nem são minhas amiguinhas?". E foi o pensamento mais sincero do mundo, sem falsidade nenhuma. Porque chamar para a minha festa meninas que não iam brincar comigo lá? No mais, minha casa tinha um jardim enorme e eu fiquei apreensiva de que elas pudessem encher minha mesa de coelhinhos de minhocas e tatu bola.
E desde pequena eu já desenvolvia o meu lado "não sei ser falsa". Aos sete anos fui a um casamento e a noiva me perguntou se eu estava gostando da festa e eu respondi: "Não, a festa é para adultos!", e minha mãe esgorregou e foi parar quase debaixo da mesa. Eu simplesmente não tinha problemas com a verdade. Ao chegar em casa meus pais brigaram comigo, me falaram que era falta de educação, que eu deveria ter dito que estava boa e que tudo estava lindo. E eu me perguntava, por que mentir? Então na verdade, era certo mentir? E eu respondi ao meu pai: "Eu não sei mentir, da proxima vez eu fico calada então." E com o passar do tempo a coisa foi ficando pior, afinal eu não era mais tão criança assim pra sair falando qualquer coisa e as pessoas acharem bonitinho.
Algums pessoas definem como gênio forte, outras como chata mesmo. Mas a questão é que pra mim é bem mais fácil dizer a verdade, falar sem pensar. Se você me perguntar o que eu acho da sua roupa hoje em dia, eu certamente responderei educadamente "Pra te falar a verdade, achei que essas listras horinzontais te engordaram um pouco". Aprendi a falar a verdade, com delicadeza e educação, mas ainda assim, a verdade.
Do mesmo modo, é difícil pra mim fazer social. Não sou obrigada. Essa coisa de "tem que ir porque é aniversário da namorada do fulano", cara eu não conheço a namorada do fulano, e só vou se eu estiver realmente afim, não vou por obrigação e nem porque "tem que fazer um social".
De certo modo, isso é muito bom, afinal, queridos amigos, se eu for á qualquer lugar que você me chamar, tenha certeza de que fui porque realmente queria estar ali.

18 de dezembro de 2009

Chegou o Natal

Antes de começar com as minhas críticas mau humoradas referentes ao Natal, quero ressaltar que, sim, eu gosto do Natal - leia-se: o verdadeiro Natal.
Muito antes da gente lembrar que o final do ano esta chegando, a gente liga o rádio e escuta aquela delícia Natalina, e então uma confusão na minha cabeça "ué, mas estamos em Outubro!" e a cada ano parece que o Natal chega mais cedo! As lojas, as músicas e o bom velhinho narrando todas as propaganas televisivas são irritantes. Isso destroi todo o clima natalino que poderia existir em minha pessoa.
Bem perto da minha casa tem uma loja de festa, com decoração de tudo o que você pode imaginar, e eles montam a vitrine com peças e mesas de acordo com as festividades mais proximas, e é o meu ponto de referência. Passo por lá todos os dias e quando vejo coelhinhos "nossa, já está chegando a páscoa!", quando vejo a vitrine inteira xadrez e com fogueira "eba, festa Junina!!", mas quando vejo em pleno Outubro a vitrine estampada com muito vermelho e o bom velhinho nas mais variadas posições eu penso "não acredito que já começaram com isso!!". Início de Outubro é cedo demais para me lembrar que o final do ano está chegando e eu não fiz metade do que planejei fazer. Dói no coração.
Acho que quando estivermos em 2013 vou passar pela loja de festas em Junho e vai estar repleta de coisas de Natal misturadas com as de festa Junina, pra que eu não esqueça que faltam apenas 6 meses para o Natal, HoHoHooO!
A verdade é que o Natal virou puro consumismo. Por favor, neste Natal lembrem-se de contar para o seu filho o que é o Natal, porque eu garanto, muitas crianças acham que Natal é simplesmente "Dia de ganhar muito presente!".
Eu penso seriamente em não dar presentes de Natal para os meus filhos, vou transferir para o Ano Novo, afinal Ano Novo, vida nova, brinquedos novos, roupas novas, tem tudo haver! E no Natal, quero ensiná-los a fazer caridade, a ter mais generosidade, lembrar que o Natal é o dia mais lindo do ano, e a gente deveria fazer muito mais do que comprar presentes para toda família e encher a cara na hora da ceia.
Acho que o que me irrita não é o clima Natalino, é o interesse apenas comercial que ronda o Natal e deturpa o verdadeiro sentido do NATAL. Se a caridade, a generosidade, o amor ao proximo, o clima Natalino "sem brigas que hoje é Natal" chegassem em Outubro eu iria amar!

22 de outubro de 2008

Simples assim

Quando eu era criança achava que o mar era uma piscina gigante muito funda. Achava que as núvens eram feita de algodão doce e que se eu fosse até o céu conseguiria deitar em uma delas. Quando eu era criança achava que o papai noel estava me avaliando diariamente para ao final do ano escolher qual presente eu merecia. Achava que os malvados eram coisa de mentirinha só pro desenho ser mais legal. Quando eu era criança acreditava que os bebês vinham na cegonha e tentei achar uma cegonha várias vezes, pra pedir um bebê só pra mim. Quando eu era criança achava que todos os adultos trabalhavam e que todas as crianças só brincavam. Achava que a vida era uma grande brincadeira. Quando eu era criança acreditava que todas as pessoas eram felizes assim como eu era. Acreditava que os animais conversavam entre si e tentava conversar com eles. Quando eu era criança acreditava que todo mundo que morresse ia pro céu e virava estrelinha. Quando eu era criança acreditava que hospital era só pra curar o dodoi. Acreditava em mágica e que a vassoura da bruxa realmente voava. Quando eu era criança eu acreditava em todo mundo e em tudo o que me diziam.



Preferia continuar acreditando em cada uma dessas besteiras.





20 de outubro de 2008

Croc?

Vocês que usam essa moda de 'Croc' que me desculpem. Ou então simplesmente não leiam para não se identificarem.
Sejamos claros e objetivos, não existe coisa mais ridícula que essa sandália estranha. Quer dizer que se amanha eu resolver que a moda é usar chapéu de corno as pessoas vão usar?
A sandália é de plástico, tem buraquinhos e é coloridinha... Mentira que alguém acha isso lindo. Acho um pecado os pais fazerem as crianças usarem isso. Se eles tem mal gosto, as crianças definitivamente não tem culpa. Que guardem isso só pra eles e não compartilhem com mais ninguém.
Prefiro dizer que, as pessoas usam o que vêem os outros usando, as vezes nem acham tão bonito, ou até nem acham bonito, mas se está na moda, e a onda da vez é ter a bendita sandália 'Croc' no armário, então eu terei. O que não deixa de ter seu lado podre também.
Esses dias eu vi um cara que devia ter seus 40 anos, e devia pesar mais de 120kg e era bem alto, sem querer olhei para os pés dele, e o que tinha? Uma exclusiva sandália 'Croc' do Mickey Mouse, isso mesmo, os buraquinhos da sandália tinham a forma da cabeça do nosso querido ratinho, sandália preta e tirinha de prender atrás vermelha, linda de dar inveja. Pensei comigo, quem será que obrigou ele a usar isso? Ele não usa por que quer, não é possivel, desacreditei. Deve ter algum motivo por trás disso. E resolvi investigar, ele fez o pedido, saiu da fila e foi pra mesa, eu fui atrás dele, e na mesa dele: 2 filhos, os 2 com a tal sandália. Acho que, ou as crianças induziam ele a usar ou, o mais provável, ele induziu as crianças... Um caso perdido. Voltei pra minha fila.
Várias coisas bregas já foram moda algum dia e quase todo mundo usou. Mas na minha opinião, essa bateu records e records em todos os sentidos. Primeiro porque, estrategicamente, ela foi feita para ambos os sexos, o que raramente acontece no mundo da moda, segundo porque foi feita para todas as idades, outra coisa difícil de acontecer, e terceiro porque é possível grudar bichinhos mais bregas ainda nesses buraquinhos.
A moda que me desculpe, mas definitivamente, eu não vou usar essas sandálias nem para bater nos meus filhos.

17 de outubro de 2008

Uma briga normal

- Por que você nunca me entende! Nuuuncaaaa. - Disse ela gritando.
- Para com isso, não é verdade meu amor. - Tentei acalma-la.
- Não me chama de meu amooor, você sempre faz isso para inverter as coisas... Para que EU saia como a culpada da situação, mas eu já saquei esse seu jogo e hoje você não vai conseguir. - E empurrou a minha mão que estava na tentativa que acariciar seus ombros.
- Do que você esta falando? Para com isso, não quero me stressar contigo hoje. É uma coisa tão boba amor, vamos parar com isso.
- Ah, você se stressar?
- Disse ela em tom de deboche. -
Pois então saia da minha frente que eu vou ver a minha novela.
- Não vou sair, não vou deixar que você ache que esta certa dessa vez!
- Tentei ser firme.
- Mas EEUUUU estava aqui primeiro. - Gritou. E definitivamente eu não estava disposto a ouvir gritos.
- Você quer brigar, eu brigo com você, é isso que você quer? Estava tentando ser calmo, não brigar, ficar numa boa, mas se você faz tanta questão, então tá, vamos brigar. - Gritei o mais alto que pude.
No mesmo momento ela começou a chorar. Como sabem se fazer de coitadinhas, não vai adiantar, não vou continuar mimando-a como sempre faço, não está certo, ela tem que aprender a assumir quando está errada.
O choro continuou, ela pegou a almofada e cobriu o rosto para que eu não a visse chorando. Como se eu já não tivesse visto.
- Responde minha pergunta, você quer brigar? - tentei ser firme, mas sem que eu quisesse minha voz pareceu mais suave e calma.
Ela não respondeu, tirou a almofada do rosto, e estava linda. Ela fica linda quando chora, os olhos ficam como se estivesse acabado de acordar e bem mais claros, o nariz fica vermelhinho e parece que ela volta a ter 8 anos toda vez que chora, por conta da cara de criança.
- Me responde. - Minha voz já não era mais a mesma, era como se eu estivesse falando realmente com uma menina de 8 anos. Merda.
Ela demorou a responder... Caiu uma última lágrima e finalmente falou.
- O que você acha de quando eu estiver de TPM o controle remoto da televisão ficar só comigo, e só eu escolher quando quero mudar de canal? - Falou isso em um tom tão doce, tão carinhoso, que foi difícil resistir.
- Ohm meu amor, você pode ter posse do controle remoto sempre que você quiser. Sempre, menos em dia de jogo.

16 de outubro de 2008

Triiiim

Me senti gorda. Começei a malhar há apenas uma semana. Cheguei sexta-feira em casa depois de um longo dia de trabalho e pensei "sim, consigo ir pra academia, chegar em casa, me arrumo e vou sair!!" E sai de casa feliz serelepe pimpão e fui malhar. Muito interessada em perder os 6kg que ganhei durante o inverno resolvi que ia pegar forte. Ôh coisa boa que é malhar, você sente os resultados no mesmo momento, impressionante.
Sai da academia cansada, olhei pro relogio, só 20h e eu já estava cansada demais pra sair.
Cheguei em casa, tomei aquele banho gelado pra ver se o pique voltava, e nada. Resolvi fazer uma macarronada light, comi.. e pensei "é só sexta-feira, que mal tem ficar em casa curtindo a minha cama? Não seria nenhum pecado!"

TriiiiMMMmmMmM TRiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiMMmmmmMMm

- Alô
- Oiiiiiiiiii amiga, e ai qq rola hoje?
- Não rola nada, to pregada.
- Como assim? ta doente? que que houve? vamos sair, hoje vai ter a festa na casa da Carlinha, aquela amiga do Thales que é o ex da namorada do Marcinho!
- Quem é Marcinho?
- Ue, aquele que namorou a Pri e acabou chifrando ela com a Ju, irmâ da Kamis.
- ahmmm tá, mas mesmo assim, não to animada, já estou em casa de pijaminha, comendo uma bela macarronada e vou assistir qlq coisa na televisão.
- Você ta ficando idosa.
- Talvez, deixa eu ir, aproveita por mim.
- Pode ter certeza!!! amanha te ligo pra contar as novis, beijo!

E desliguei o telefone me sentindo leve, com a tranquilidade de que não precisava sair de casa mesmo, que ninguem me convenceu a abandonar o aconchego do lar. Senti meu corpo mole e uma vontade de deitar que acabou me dominando, e cai no sofá deliciosamente.
Poxa, se eu soubesse que ficar em casa sexta-feira era tão maravilhoso, eu ficava todas as sextas, tá ou pelo menos algumas delas. E estava passando um filminho que até parecia interessante, o-b-a!

TRRRiiimmmmMmMmmmmMM TRiiiiiiiiiiiiiiiiiMmmM

Porra bem na hora que o gatão ia beijar a gordinha!

- Alô!
- Que que vc ta fazendo em casa, e cadê seu celular?
- ah oii Thiaguinho, então.. desliguei meu celular...
- E que que você tá fazendo em casa?
- Descansando...
- Em plena sexta?
- É.
- Você não ta sabendo da festa do Martelo?
- Não, o irmão da Yara?
- É, esse mesmo, hoje é a festa de despedida dele, ele ta indo morar na África e ta dando uma festa de despedidas lá na casa do Alê!! Vamos, eu passo ai daqui 15min tá?
- Não.. rrr não, eu não vou não...
- Vamos, que desânimo é esse?
- Não estou no clima, prefiro ficar aqui quietinha...
- Ah você quem sabe... um beijo então!
- Beijo

Porque as pessoas querem tanto te levar para a rua? Será que é pecado ficar em casa sexta? Será que um Rei momo, há anos atras resolveu que sexta-feira é dia de ficar na rua e não em casa? Acho que não! Definitivamente, não!
Olhei no relogio, que marcava 23h46,resolvi que era a hora da pipoca, fui até a cozinha com passos de felicidade e coloquei o pacotinho no microondas para estourar...
Porque será que todo mundo liga, menos ele?
Certamente ele está em casa, estudando, ele disse que precisava estudar... acho que disse. E se eu ligasse pra ele? Não, eu não, melhor não.
A pipoca ficou pronta, coloquei na minha vasilha do Mickey e fui pra sala continuar meu filme. Também se ele ligar eu não atendo, não a-ten-do! Deve estar por ai, com alguma piriguete. Por isso não ligou. Acho ate melhor nunca mais me encontrar com ele, ele não presta mesmo... E não é tão bonito assim, não sei porque ele se acha tanto. Deve ser culpa da mãe dele, as mães tem mania de fazerem o filho acreditar que é o homem mais bonito do mundo. Se me filho for feio, eu vou falar "meu filho você é feio, mas tem que achar bom que tem saude, e uma mãe linda!". Nunca mais quero ver a cara daquele filho-da-puta. Ele está com outra, com certeza!
Peguei meu celular, liguei e apaguei friamente os numeros dele, como se eu ainda não tivese decorado todos. Me senti aliviada e feliz, e resolvi deixar o celular ligado, para o caso dele resolver ligar e eu poder não atender. É uma tática femenina para aumentar o ego de vez enquando.

PRiiiiMMMMMMMMMMMmmmMmM PriiiiiiPriiiiiimmmMmM
(Agora o toque é diferente porque foi o celular que tocou!)

Olhei o número, era ele.
Não vou atender, não vou atender, não vou atennnndeeeer!
Pq ele é um filho-da-puta, fiz questão de exaltar esse detalhe.

- Alô. (voz sexy)
- Oi gatinha, que saudade de você.
- Oiiiiiiiiiiii meu liiindooo!
- Aonde você está, tentei ligar no seu celular e só dava desligado...
- Ahhh, acabei de chegar de uma festa de um amigo meu, resovi voltar cedo e deixei o celula em casa, carregando... Mas, ehh.. você não tem o numero aqui de casa?
- Não, você nunca me deu... Mas então, vamos sair para jantar.
- vamooos, estou com fome mesmo...
- Passo ai daqui 10min então, um beijo!
- beeeeeijo

E resolvi ir... afinal a filha-da-puta da historia era EU.

Caderninho de perguntas



Sabe esses questionários que no ensino médio são a 'sensação do momento'? Que não satisfeitos em passarem apenas virtualemente, criou-se um 'caderinho de perguntas', com tantas perguntas quanto folhas e a turma inteira respondia?
Pois é, já passei por isso. E vcs não podem imaginar a pergunta que me dava maior dúvida... Certamente vcs devem estar pensando "qual foi seu melhor beijo?" ou "vc esta afim de alguém da sala?" ou até aquelas desenvolvidas pelo dono do caderno para medir o seu grau de popularidade "o que vc acha do dono do caderno?".
Não, não era nenhuma dessas... Era a básica pergunta: "Sol ou chuva?".
Não riam, essa pergunta me fazia parar pra pensar.
Como assim sol ou chuva, que pergunta imbecil, os dois. Não quero viver só no sol e nem só na chuva. Pensando na possibilidade das pessoas se cansarem só de um ou só do outro, nosso queridissimo Deus criou os dois, assim.. as vezes até juntinhos. Gosto dos dois igualmente, quando me canso de um lá vem o outro... E assim em diante, gosto dos dois, igual-men-te.
Adoro o sol, o calor do verão, biquini na praia, água de coco, aquele calor que a gente pede por um mergulho em qlq água que seja, mar, piscina, lago e ate aquela agua geladinha das cachoeiras. Mas pense comigo, imagina homens engravatados no calor do verão, que deliicia, mulheres que definitivamente não vão sair de biquini sempre, estariam vestidas socialmente com pizza de baixo do braço, atraente não?
Chuva é uma delicia, adoro tomar banho de chuva. Adoro ficar em casa com chuva, meu edredon e um bom filminho. Nada melhor que beijo na chuva, nem se compara ao beijo no sol. Agora, imaginem só, uma viagem pra praia, com chuva. Que divertido. O mar agitado, nenhuma marquinha de biquini, pessoas de roupa na praia sentindo o vento que vem antes da chuva. Interessantíssimo.
Dae um dia, cansada dessa perguntinha idiota, resolvi escrever essa pequena resposta no 'livrinho de perguntas'.
Resultado: Passaram o ano inteiro dizendo que eu 'fumava um' antes da aula.

10 de outubro de 2008

Caso sério


Ela acordou como se o mundo tivesse acabado naquele exato momento. Jogou o lençol no chão num ato de raiva.
-"Bosta de 7h da manha!"
O mundo conspirava contra ela, exatamente no mehor do sono, no melhor do sonho ela teve que acordar para ir trabalhar.
-"Todo mundo indo à praia, acordando às 9h da manha, e só eu nessa merda de vida do caralho acordando às 7h para trabalhar, puta-que-pariu..."
Falou essa frase com a boca cheia de raiva. Como se não bastasse, olhou no espelho e o pior aconteceu, o cabelo, que sem querer havia dormido molhado, acordou bastante semelhante a uma espiga de milho, ou talvez uma vassoura daquelas que as bruxas gostam de usar. Na mesma hora ela pensou em se matar, mas hoje não seria possível, ás 10h ela teria uma reunião decisiva no escritório. Resolveu simplesmente fazer um coque de vó. Vestiu a única roupa descente que tinha e saiu calçando os sapatos. Para que seu dia fosse mais feliz o elevador desceu já com três pessoas, com caras de sono e tão antipáticas quanto ela. "Foda-se, não vou falar bom dia!" e entrou no elevador virando as costas para os outros e apertando fortemente o "T" algumas três vezes. Entrou no carro com a cabeça doendo, tomou uma neosaldina sem água mesmo, já que a dor não poderia esperar. Ligou o rádio e ouviu "você é luz, é raio estrela e luar, manha de sol, meu iaia meu iôiô..." Achou uma puta sacanagem tocar justamente aquela música, não pode evitar e começou a chorar compulsivamente, batendo a mão no volante e cantando a musica sentindo o gosto das lágrimas. É claro que ela pegaria um engarrafamento de kms e kms, daqueles que vc desliga o carro enquanto espera... ela aproveitou para chorar mais, pq de uma forma incrível, todas as músicas que tocavam faziam com que ela se emocionasse, tocou até "sabão cracra, sabão cracra não deixe os cabelos do saco enrrolar.." e mesmo assim, no ponto de vista dela, foi comovente. Quando finalmente conseguiu estacionar o carro percebeu que estava parecendo que sofrera um assalto e que o ladrão resolveu dar vários socos nos olhos dela, o que a fez ficar com eles inchados, vermelhos e logicamente chorando. Resolveu que daria essa desculpa.
-"vou falar que fui assaltada e apanhei, pq justo hoje esqueci a porra da bolsa de maquiagem!"
E desceu do carro ignorando todos os olhares de pena que recebia. Passou pela portaria do prédio em que trabalhava e o seu Zé, filho-da-mãe, tinha que perceber e não satisfeito perguntar:
-"o que foi que te aconteceu minha linda?"
Com aquele sotaque baiano que ela sempre achou um calmante, mas que naquela hora lhe pareceu a coisa mais irritante que já tinha escutado em toda sua vidinha.
-"Não quero falar sofre isso, estou atrasada, tenha um BOM DIA!"
O 'bom dia', por algum motivo, saiu mais alto que o resto da frase.
Entrou na sala, colocou a bolsa da mesa, pegou um copo de água e resolveu fazer um xixizinho...
-"ahhhhhhhhhhhhhhhhhHh não, caralho!! Logo hoje, logo hoje, que eu esqueci tudo em casa, inclusive o absorvente!"
Teve vontade de chorar mais uma vez, se segurou. Não pensem que era possível pedir emprestado, só para constar, o trabalho dela era como analista de sistemas em uma empresa de informática, e a única 'mulher' existente no local além dela era o Jorgão que nas férias adotou o codimone Júlia e desde então deixava o cabelo crescer.
Não falou absolutamente nada.
Pegou a bolsa e foi embora.
-“Foda-se a reunião! Ninguém aqui tem noçao da gravidade dessa porra de tpm mesmo”

9 de outubro de 2008

coisa de mulher..

Resolvi que ficaria de luto, afinal um namoro de 5 meses não poderia acabar dessa forma cruel sem que eu sentisse alguma coisa. O filho-da-puta certamente estaria curtindo seu luto em alguma boate rodeado de thuthuca. Mas eu... não.
O telefone tocou já eram 3h da manha, e eu meu luto já estavamos sonhando pela décima vez. Como se não bastasse todo eu sofrimento, ele me ligou bêbado...
"meu amoooor, meu amoooor... nada acabou, volte pra mim, meu amoooOR.."
Certamente me disse isso na linguagem dos bêbados: cantando. Felizmente eu estava com tanto sono que desliguei meu celular e consegui dormir de novo sem maiores problemas.
No outro dia de manha bateu 'o arrependimento', como eu pude desligar o telefone quando o cara por quem eu estava sofrendo há uma semana me ligou e pediu para voltar? Ódio de mim.
Liguei pra ele.
Burra!

- êê.. oi, vc me ligou? eu... to... retornando sua ligação.
- eu? acho que, não sei. Liguei pra tanta gente ontem. Mas se te liguei, você deve ter percebido, eu estava bêbado demais pra lembrar a conversa que tivemos, me desculpe.

Pensei bastante, cheguei a conclusão de que eu, na verdade, nâo queria mais voltar pra ele. Duas semanas se passaram e me fizeram perceber que ele não me fez tão feliz quanto poderia. Respirei fundo, aliviada, e como um nó que estava entalado na minha garganta, cuspi:

- Seu babaca, realmente me peça desculpas, e mais que isso, nunca mais me ligue novamente, ainda mais naquele horario. Eu estava no melhor do sexo quando vc atrapalhou! estou em outra já tem algum tempo, então, não apareça para não atrapalhar! Vergonhoso eu ter que dizer que, um dia, já namorei com você!
- Como assim melhor do sexo? com quem? está em outra? com quem?
Gargalhei por dentro, sabia como atingi-lo.
-É isso mesmo que vc ouviu. Nâo te interessa com quem. Só ne faça o favor de desaparecer.
Desliguei o telefone com o ego nas nuvens.